quarta-feira, 5 de novembro de 2008


ETERNIDADE


Sonho com esse nada de acabar-se
Sonho com continuar-se o nada.
É como se respirasse em um lugar despoluído,
Mas também desprovido de ar.
Um vácuo vastíssimo,
Num largo cânion
Em profundo precipício.
Um estar sem você tão forte,
Que você fosse tudo
E restasse só um pouco de infinito
Para eu morar.
E um resto de infinito é um lugar
Antes de tudo, insalubre.
Em que oprime o peito a saudade
Do vasto eterno que ficou para trás.
Passou e continuou eterno:
A imagem de um oásis que jamais se apagou
Na mente do sedento que morreu.
A visão da água que desvaneceu
Na areia escaldante, escarlate
Do deserto.
A figura dos justos felizes,
No dia do Juízo Final
Eu, condenado!
Um sonho tão real que deixou vestígios materiais,
Porém quase intangíveis,
Como a lágrima que escorre
Antes do lenço chegar.
Como o suor que evapora
E abandona a sensação do sal.
Como você que está comigo,
Eu que te esmurro, te xingo,
E recebo a indiferença dos seres inanimados,
Nem mesmo um suspiro de nunca mais,
Nem mesmo um lamento de sinto muito,
Nem mesmo um conter de lágrimas,
Nem mesmo um nada me resta,
Pois você está ali:
A um toque da mão,
A uma imensidão do ser.
Você é uma pedra que caiu no lago.
Fará lodo, e em milênios,
Talvez milhênios,
Esvairá.
Nascerá um lago com propriedades medicinais,
Útil, feio e enferrujado,
Necessário como necessário é tentar pela última vez.
Lá, destruído, derretido,
Dormirá você.
Banhando a doença,
Lambendo uma crosta de fim.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Textos e Poesias


Conheço várias pessoas que têm blogs primorosos de poesias, textos e contos.


Sinceramente, a qualidade de seus textos, e talvez até um pouco de medo da crítica, sempre me fez evitar publicar os meus.


Mas, algumas pessoas que me conhecem (poucas, admito) vivem pedindo. E este negócio de enviar por e-mail ou msn, já tá mais arcaico que correios.


Eu pensei em criar um blog para isto, mas já tenho este aqui, e não é tempo de desperdício.


De mais a mais, não pretendo postar só escritos, mas de vez em quando um depoimento também, um caso... Enfim, o que me der na telha. Está no sub-título do blog de hoje em diante.


E ele deixa, a partir de agora de ser uma brincadeira "só minha", quero dizer que passo a divulgá-lo.
Seguem os primeiros textos. Prometo pelo menos um novo por semana, mas no começo serão mais. De brinde nesta primeira semana... um por dia! (Não perca! :-D).
Aboletem-se e fiquem à vontade.


Abraços.
PAPEL E CANETA
Este papel é um papel passivo,
Em minhas mãos ele foi branco e se manchou
Do fel que exala a caneta elétrica,
Que não se cala mesmo quando o corpo para,
E a lágrima escorre,
E é dor.
É de tanto doer, que ela se move,
Até que a dor morre,
No momento em que sou ator.

Sorrio, e a caneta pára,
Movo, e ela morre.
Inanição, talvez.

E talvez seja eu que me alimente
Da dor que a movimenta,
E de já não suportar mais: fuja, ou finja,
Ou corra, ou esconda, ou morra.
De tanto matar a dor de que a caneta fala.
SUBJUNTIVO
Talvez se eu finalmente escrevesse,
Uma coisa que, passível de ser-te mostrada,
Impressionasse.
Talvez se eu trancendesse
A modorrenta prudência de agora.
Talvez se eu fosse embora,
Pra depois voltar...
Ou então desfalecesse,
Caísse, quase morresse,
Talvez você viesse ver o que há!

Você não vem.
Estou seca, esquartejada,
despetalada,
Você não vem me olhar...

Talvez se eu revivesse,
Pintasse o rosto, colorisse a casa,
Vestisse, plantasse, exibisse, comentasse,
Despisse ou mudasse.
Talvez se eu desistisse, esquecesse,
Partisse...
Talvez se eu cantasse bem alto,
Se volitasse, fosse até você...
Talvez se eu andasse bem depressa,
Ou passeasse,
Talvez se insistisse, talvez se procurasse!

Talvez se você visse meu desespero,
Talvez você tentasse
Não me desprezar...
Talvez se eu chorasse, talvez te arrependesse,
Talvez te convencesse,
A não me abandonar...

Talvez te abraçasse, talvez me aconchegasse,
Talvez dormisse, talvez ronronasse,Talvez fluísse, derretesse, esgarçasse até que um dia evaporasse.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Eu Sobrevivi

Contra todas as previsões, eu sobrevivi. E bem.

O Natal foi mais religioso que a média, o que parece ter funcionado, de forma que estou cada vez mais propensa a acreditar em milagres.

O reveillon foi meio plastificado, mas pelo menos não fechei contrato com os ranzinzas que ficaram em casa de calças frouxas e depois foram se vangloriar no orkut de sua grande excentricidade. Botei um bom vestido de baile e encontrei amigos na beira da piscina. Clichê? Ao menos não é razão para contar vatagem.

E 2008, pasmem nasceu bissextado e perfeitinho. Deu uma trançada na minha vida. E eis que estou perdidamente apaixonada... E felicíssima! [Ohhhhhhhhhh!]

Você está curioso?

Eu estou roendo as unhas!!!

Pra não perder a fama de má, grrrrrrrrrrr pra você.

Tá, não colou, eu sei.

Até a próxima, invisíveis.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Quero saber quem anda espalhando por aí que eu tenho um blog.

É uma mentira, eu não tenho um blog, este é um espaço privê, no qual falarei de coisas que só eu entendo, compreende?

Eu posso estar tirando sarro da sua cara e você não ter percebido, ok? Não adianta perguntar nos comentários. Eu não me dignarei a responder neles, não antes que sejam 50 por post.

Por exemplo, sobre o natal, eu direi, que o meu está sendo adequado. Um natal de merda para um ano que foi um lixo. As coisas às vezes nem precisam ser boas, mas necessariamente têm que ser adequadas.

Este é um natal adequado. Embora nem tenha ainda ocorrido.

O que me espera até lá, oh, deus, meu desafio é sempre suplantar tais datas.

Se eu sobreviver, depois, comemoro contigo, e conto como, ok?

domingo, 9 de dezembro de 2007

Não acabou

Demorou duas semanas para eu descobrir como incluir a próxima postagem, mas agora vai.

Eu estou em dúvida se começo a postar meus textos e poesias aqui, com medo de tornar este mais um blog de contos quase nunca lidos...

Bem, acho que vou falar da noite de ontem.

O aniversário de um grande amigo, muito samba, depois show de rock and roll no ar condicionado, que ninguém é de ferro.

Novidades? Muita gente inaugurando algema, estreando par, eu fiquei até cabreira. Esse povo quando entra na neura de se amarrar, a coisa pode feder.

Sim, sim, rolou um ciuminho básico, claro! Inveja é fogo, meu! :-)

Abraços, até mais ver.

sábado, 24 de novembro de 2007

Ana Terra nasceu de um estupro

Para quem eventualmente não conheça Ana Terra, ela é minha ídola, a matriarca da grande família que vem a "encenar" a trilogia do Veríssimo, O Tempo e O Vento.

Ocorre que Ana Terra, apesar de regateira e excitável como toda mocinha, a parir filhos de indígenas, só se tornou interessante mesmo depois do estupro, que por fatalidade levou também os homens de sua família.

Foi quando se mudou para Santa Fé, e a história começa de fato.

Eu não sei o que isto tem a ver com este blog, quem dirá é você.

Beijos, e até a próxima!